quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Governo novo, problemas novos


A presidenta Dilma Rousseff (PT) foi reeleita numa disputa imprevisível, confusa e cheia de altos e baixos. No último domingo (26) mais de 54 milhões de pessoas consolidaram e referendaram, mais uma vez, o mesmo projeto que já vem governando o país desde os idos de 2003. Mas, ao que tudo indica, o cenário político mudou nas ruas e essas mudanças estarão também refletidas dentro das paredes do Congresso Nacional.
O PT, partido da presidenta, perdeu 17% das cadeiras na Câmara dos Deputados e se viu, após o resultado dessas eleições, mais dependente ainda do posicionamento do PMDB.
O governo tem ampla maioria na Câmara e no Senado, mas isso nem de longe atende como um fator de tranquilidade ao Planalto. O PMDB vem se mostrando um partido extremamente hostil e volátil o que, se traçarmos um paralelo histórico, não é nenhuma novidade. Ele, o PMDB, não tem a obrigatoriedade de ser cem por cento fiel ao projeto petista porque não carrega nem as cores, nem o número, nem a ideologia do partido da estrela e isso dá aos seus representantes uma certa liberdade para dialogar, exigir e barganhar.
É interessante ressaltar aqui os diversos segmentos que existem dentro de uma casa tão plural como a Câmara dos Deputados: bancada evangélica, bancada ruralista, bancada empresarial, bancada sindical, bancada dos direitos humanos e outras séries de bancadas são apenas alguns exemplos de como uma das nossas casas de leis se comporta nesse complicado jogo do poder. O PMDB tem deputados de todas essas bancadas, mas não só isso, existem também diferenças regionais que criam alas "rebeldes" dentro de uma mesma sigla. Ainda que minoria, essa ala abastada terá que ser afagada pelos gracejos de uma presidenta que, no primeiro mandato, mostrou-se pouco amigável aos legisladores e por isso mesmo tentou, por diversas vezes, aprovar projetos com base no grito, na pressão e nas ameaças.
Pelo que indicou o discurso da vitória no último domingo, Dilma e o seu novo governo estariam dispostos a dialogar mais com o Congresso na busca por um denominador comum, mas as perspectivas não são tão animadoras e otimistas assim.


O novo executivo tende a enfrentar um Congresso difícil
Para começar o PSDB anunciou hoje que vai, pela primeira vez em muito tempo, brigar pelas presidências das casas e que não vai mais se aliar aos grandes por um papel de coadjuvante nas mesas diretoras. Esse posicionamento astuto e organizado da oposição mostra que as urnas inflaram os pulmões desses futuros representantes que se acham no direito de entrar no páreo a partir do ano que vem. A ideia da oposição é muito simples: unir todos os partidos que já eram contrários e somar-se a outros que aderiram a campanha do senador Aécio Neves (PSDB-MG) no segundo turno. Esse é o caso do PSB que terá, nesse sentido, um papel importantíssimo para agregar legendas menores mas que, na contagem dos votos, serão extremamente relevantes.
Como se não bastasse essa situação inédita no governo Dilma, a própria bancada governista parece que irá brigar entre si já que, ao que tudo indica, tanto o PT como o PMDB irão brigar para ver quem consegue a presidência de tal casa. Ambos os partidos haviam selado um acordo de revezamento que se encerra agora em dezembro e, ao que parece, o PT não se sente confortável em assinar esse termo mais uma vez, embora tenha que ser ver menor em 2015 do que estava em 2011.
Apesar de tudo isso não será muito difícil unir as siglas amigas - PT e PMDB. Basta apenas uma boa conversa, longa e respeitosa, cujo ego presidencial não se sobreponha à importância do novo Congresso Nacional que terá em sua pauta temas bastante importantes como, por exemplo, a pseudo-reforma política e tributária prometida por todas as candidaturas no período eleitoral. Ainda há muito nevoeiro nos corredores de Brasília e é necessário, nesse sentido, esperar a poeira abaixar.

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