Mal acaba uma eleição e o pessoal já pensa na próxima. É assim que a banda toca no Brasil e pela quarta vez consecutiva o PSDB não conseguiu retirar das mãos do seu arqui-inimigo partidário, o PT, o cargo da presidência da República.
No entanto, dessa vez a disputa foi apertada e o partido dos tucanos saiu das eleições de 2014, sem sombra de dúvidas, mais forte do que entrou. Agora a discussão é a respeito do futuro: já que perderam mais essa, quem pode enfrentar o rojão em 2018?
Confira abaixo os principais nomes do partido para as eleições presidenciais que serão realizadas daqui quatro anos:
| Aécio Neves - Senador/MG |
Apesar de ter perdido as eleições deste ano, o senador mineiro Aécio Neves é, em primeiro lugar, candidato natural às eleições de 2018 por ter sido aquele que mais se aproximou da vitória desde 2002 e por isso mesmo não pode se considerar um derrotado. Além disso, Aécio quer se firmar nos próximos quatro anos como o principal nome da oposição no Congresso Nacional e já começou a articular sua posição de protagonista tanto com o senador paulista Aloysio Nunes, bem como com seu padrinho tucano, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ao enviar uma mensagem de vídeo nas redes sociais para os seus eleitores ele sinalizou, de fato, que vai tentar manter um diálogo mais próximo com o cidadão para não cair no temido ostracismo político. No entanto, Aécio sabe que existe gente dentro do partido e dentro do Senado que pode tornar essa tarefa bem mais difícil.
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| José Serra - Senador/SP |
Aquele que um dia foi o primeiro nome na lista do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso voltou, caladinho e em grande estilo, ao Senado da República. Serra também figura na lista de vitoriosos tucanos de 2014 porque tomou para si e para o partido uma cadeira que era ocupada há 24 anos por um petista do calibre de ninguém menos que Eduardo Suplicy. Cabe comentar aqui que, antes da decisão da chapa, o ex-prefeito e ex-governador de São Paulo hesitou, e muito, em lançar seu nome para um cargo legislativo já que ele não ocupava esse posto há 11 anos quando saiu para assumir o ministério da saúde do governo FHC.
Serra é, assim como Aécio, um candidato natural para a disputa presidencial de 2018, mas tudo vai depender do seu desempenho dentro do Senado e ele até já foi cercado por senadores aliados de diversas partes do país para articular em favor de uma oposição unida e sistemática. Ele tem, basicamente, dois caminhos: optar por auxiliar o companheiro mineiro para torná-lo, de fato, a figura representativa do PSDB ou trilhar o seu próprio caminho. Isso só o tempo poderá dizer, mas a briga entre Serra e Aécio é tão antiga quanto a rivalidade entre Minas Gerais e São Paulo.
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| Geraldo Alckmin - Governador/SP |
Seu nome é cogitado porque, em primeiro lugar, não seria mais marinheiro de primeira viagem. O governador de São Paulo enfrentou o ex-presidente Lula numa disputa acirrada no primeiro turno de 2006 e, embora o resultado no segundo turno tenha sido uma vitória larga do petista, Alckmin conseguiu se reerguer e se elegeu governador do maior e mais importante estado da nação em 2010, sendo reeleito agora em 2014. É a quarta vez que Geraldo Alckmin governará o estado de São Paulo e, embora tenha sofrido algumas baixas no meio do caminho, não tem muitas alternativas para as eleições 2018. No entanto, seu nome esbarra em alguns percalços como, por exemplo, ser considerado da "ala xiita" do PSDB e não ter tanto culhão para enfrentar no mesmo tom os ataques petistas - considerados de baixo nível pelos tucanos - coisa que Aécio Neves fez melhor que qualquer um. Se quiser ser candidato à presidência em 2018 Alckmin terá que trabalhar mais que todo mundo e conta com José Serra, seu amigo e parceiro, para essa difícil tarefa.
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| Marconi Perillo - Governador/GO |
A trajetória política do goiano é bastante semelhante à do paulista acima citado: Marconi foi eleito governador de Goiás em 1998 quando tinha apenas 35 anos - na época foi o governador mais jovem do Brasil - acabando com a hegemonia do PMDB no estado que durou quase 40 anos. Em 2002 foi reeleito ainda em primeiro turno e, em 2006, elegeu-se senador por Goiás com votação recorde. Tendo cumprido menos da metade do seu mandato ele foi convocado pelo partido, mais uma vez, para ser candidato ao governo do estado. Sagrou-se vencedor em 2010 mesmo tendo contra si as máquinas estadual e federal e agora em 2014, apesar da agenda bastante negativa atribuída ao seu governo diante da Operação Monte Carlo, Marconi consegue reeleger-se com mais de 57% dos votos válidos e torna-se o maior nome da política goiana da história recente.
Apesar de toda essa trajetória vitoriosa existe um problema: aliados consideram Marconi uma liderança regional bastante importante que poderia, perfeitamente, encampar uma parceria na chapa de algum de seus companheiros - seja ele mineiro ou paulista. Para aliados próximos, o governador de Goiás confidenciou que o projeto de sair candidato a presidência da República cabe ao partido e não a ele, mas não nega seu interesse em participar como protagonista do processo. É sabido que ele detém uma relação bastante próxima com todos os figurões tucanos incluindo, especialmente, Aécio Neves.
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| Beto Richa - Governador/PR |
O governador reeleito do Paraná goza do mesmo prestígio mas, principalmente, das mesmas dificuldades do companheiro goiano. Beto Richa foi eleito prefeito de Curtiba em 2004 sendo, posteriormente, reeleito em 2008. Em 2010 abandonou a prefeitura e candidatou-se ao governo do estado onde sagrou-se vencedor e, agora em 2014, derrotou o ex-governador Roberto Requião e venceu as eleições já em primeiro turno. Também é considerado por tucanos uma liderança regional, embora seja visto com bons olhos por boa parte deles que, em todas as eleições presidenciais, contaram com o apoio dos paranaenses. O problema de Beto Richa é, antes de tudo, a pouca experiência no legislativo em âmbito nacional. Correligionários observam que o PSDB precisaria muito dele no Senado em 2018 - alguns arriscam dizer que é pra lá mesmo que ele vai. Outros atribuem ao governador o carimbo de um político jovem que pode, num futuro próximo, ser candidato a presidência - esse futuro próximo não inclui, especificamente, 2018. Também é importante ressaltar o seu bom relacionamento com o senador mineiro Aécio Neves que pode, e vai, mediar as discussões em torno do seu nome.
Os nomes, de fato, são bons e a grande maioria deles consiste de velhos conhecidos dos brasileiros. Todavia, a maneira como a oposição vai se portar nesses próximos quatro anos será determinante para uma análise mais concreta do cenário político brasileiro. Afinal, ainda é cedo para falar sequer sobre as chances de saída do PT do poder já que, dentro do Palácio do Planalto, é tido como certo do retorno do ex-presidente Lula às campanhas presidenciais já que ele mesmo chegou a admitir publicamente o seu desejo de disputar o pleito em 2018.
Vamos esperar o desenrolar dos acontecimentos, mas o PSDB sabe que Lula é um adversário cem vezes mais difícil de ser abatido. A resposta virá, mesmo, a partir do dia 1º de janeiro.




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