segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Um Brasil de dois brasis

Desde a divulgação do resultado das urnas no último domingo há, de fato, um sentimento bastante peculiar na mente daqueles que venceram e também daqueles que, porventura, foram derrotados. 
Por parte dos vencedores há um clima de cautela e de receio porque reconhecem, antes de tudo, o resultado apertado. isso significa que alguma coisa está muito errada na conjuntura governista e que algo precisa ser feito de maneira rápida e enérgica para evitar reflexos negativos nesse complicado período de transição. O governo sabe que vai ter de matar vários leões diários nos próximos quatro anos tanto com o Congresso Nacional, como também com uma parcela considerável dos eleitores que demonstraram não estar plenamente satisfeitos com os atuais rumos do Brasil. 
Os derrotados, por sua vez, demonstram uma imaturidade política que nunca antes foi vista nesse país. Nem quando Lula venceu as eleições, lá em 2002, houve tamanho destempero por parte dos eleitores tucanos como o que assistimos neste ano: pedidos de separação do país, ataques ao eleitorado nordestino e pedidos de impeachment lotaram as timelines das principais redes sociais do Brasil durante toda essa semana. 
E quando achávamos que a situação havia sido superada e que os ânimos haviam sido acalmados houve mais uma surpresa: centenas - e depois milhares - de pessoas foram às ruas das principais capitais do Brasil empunhando faixas, bandeiras e as mais variadas formas de ilustração para pedir a saída da presidente eleita e até a intervenção militar como aquela ocorrida em 1964.
A pergunta que fica é muito simples: "qual a necessidade de tudo isso?" por que os eleitores derrotados não respeitam as urnas e assumem que não foram capazes de, apesar da diferença apertada, eleger o seu candidato? Parece que o respeito às instituições democráticas tem ficado em segundo plano por pura imaturidade política de uma parcela da população. 
Passeata hoje em SP pede a saída da presidenta
Esse movimento é um tanto preocupante já que ele se concentra, especialmente, na região centro-sul do país que deu ao candidato derrotado a maioria absoluta dos votos nesse segundo turno. É uma área rica, desenvolvida e que é responsável por grande parte das riquezas geradas pelo país, mas não apenas isso, essa insatisfação popular precisa ser resolvida de uma vez por todas, mas ao que tudo indica os governadores de alguns estados - especialmente os da oposição ao governo reeleito - parecem não se importar e acham que essa insatisfação vai passar quando o cidadão se alienar novamente.
É interessante notar que esses movimentos, ainda que pontuais e com adesão pequena, se refletiu dentro do principal partido de oposição. O PSDB pediu, de maneira errônea, uma auditoria especial para haver uma confirmação - ou não - do resultado das eleições da semana passada. O Tribunal Superior Eleitoral disse que não vai acatar esse pedido - e faz muito bem em fazê-lo.
Pelo sim e pelo não é preciso manter olhos e ouvidos atentos a qualquer deslize por parte da presidenta que reassumirá o cargo em janeiro do ano que vem. Apesar de ela contar com uma militância ativa - e altiva - e uma ampla maioria no Congresso Nacional, Dilma Rousseff vai precisar voltar a dialogar - ou iniciar um novo diálogo - com a sociedade comum porque, do jeito que as coisas vão, qualquer deslize pode se transformar numa avalanche e deixar ainda mais tensa a situação política e social do país.

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